Daps realiza palestra sobre anorexia e bulimia
Campanha do TJSP discute saúde física e mental.
O Tribunal de Justiça de São Paulo, por meio da Diretoria de Apoio aos Servidores (Daps) e da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP), realizou, hoje (4), a segunda live da campanha “Além da Imagem: Um Olhar de Prevenção e Cuidado”. A iniciativa está alinhada à Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) n° 207/15, que versa sobre a saúde de magistrados e servidores do Poder Judiciário. Entre os objetivos estão a reflexão crítica sobre padrões estéticos corporais e seus efeitos na saúde mental, além do desenvolvimento de uma relação mais equilibrada com o corpo e a alimentação.
O primeiro evento da série abordou aspectos de saúde mental relacionados aos transtornos alimentares. Agora, a palestra “A Face Oculta dos Transtornos Alimentares: Anorexia e Bulimia”, ministrada psiquiatra Jéssica Neves, especializada em atendimento a transtornos alimentares, trouxe mais detalhes sobre essas duas doenças psiquiátricas, cada vez mais comuns e que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afetam cerca de 16 milhões de pessoas no mundo.
“Os dois quadros são graves e com riscos clínicos significativos. O transtorno alimentar pode aparecer de várias formas, sempre com comportamentos exacerbados em relação à comida”, explicou a especialista. A anorexia nervosa, segundo Jéssica Neves, está ligada a grandes restrições alimentares, com baixíssima ingestão de alimentos, e a um medo intenso de ganhar peso. A pessoa passa a se enxergar acima do peso, apesar de estar muito magra, e tem dificuldade de reconhecer a gravidade do problema. Já a bulimia nervosa se caracteriza por episódios recorrentes de compulsão alimentar, com uma ingestão exagerada de alimentos, intercalados com comportamentos compensatórios, como vômitos provocados – também há uma percepção de imagem distorcida, mas não necessariamente com grandes mudanças corporais.
Dietas rigorosas, contar calorias, restringir alimentos ou grupos alimentares, pular refeições, fazer pratos menores ou disfarçar a quantidade de alimentos ingeridos foram alguns comportamentos citados pela médica como pontos de atenção para as doenças. “Essas são algumas práticas que vemos na clínica e que as pessoas com transtornos alimentares podem adotar na busca por um corpo que julgam perfeito, às vezes sem perceber os riscos a que estão se submetendo. Hoje em dia há uma cultura da magreza exacerbada e muito pulgada nas redes sociais, que acaba distorcendo informações e incentivando os transtornos alimentares”, observou.
Oferecer apoio estruturado e não desprezar os problemas são as melhores formas de ajudar pessoas com sintomas de anorexia ou bulimia. “A família e os amigos podem dialogar e ajudar no encaminhamento para um tratamento multidisciplinar, com psiquiatra, psicólogo, nutricionistas e cuidadores, com foco no apoio emocional e na melhoria da relação com a comida”, ressaltou a psiquiatra, que finalizou reforçando a importância de construir uma relação saudável com os alimentos.
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