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Controle de Processos

Internet do tráfico representa mais de 40% da arrecadação do CV na Penha em um mês, diz PF

Mãe e irmão de Oruam são presos pela PF em operação contra o monopólio de internet do Comando Vermelho Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, enfrentam restrições para escolher como acessar a internet. Segundo as investigações da Polícia Federal que culminaram na Operação Backbone, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares para impedir o funcionamento dos serviços e forçar moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pela facção. As empresas que recebem autorização para atuar na região pagam mensalmente uma espécie de tarifa ao grupo criminoso. O esquema, além de limitar a concorrência, se tornou uma fonte expressiva de receita para a organização. De acordo com a PF, registros financeiros da facção indicam que, em um único mês, a cobrança pelo serviço de internet representou mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha. O impacto vai além do acesso à rede. Em entrevista, um morador que não será identificado por segurança relatou sensação de abandono e humilhação diante da falta de serviços básicos. “O sentimento que eu tenho com relação a isso tudo é de abandono. Abandono do poder público. Sentimento de humilhação, porque não temos serviços básicos que toda a população deveria ter”, afirmou. Operação Backbone A mãe e um irmão do rapper Oruam foram presos nesta segunda-feira (19) pela Polícia Federal (PF) na Operação Backbone, contra o monopólio de internet imposto pelo Comando Vermelho (CV). Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, foram alguns dos alvos de mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo menos 20 mandados de prisão haviam sido cumpridos. Outro preso é o vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva (Podemos). Ele foi pego em Londrina (PR). Um mandado de prisão foi cumprido contra Márcio Santos Nepumuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam e que já estava encarcerado. Não se sabia se Oruam é investigado nesse inquérito. 1 de 4 Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, chega à sede da PF — Foto: Milton Oliveira/GloboNews Agentes saíram para cumprir, no total, 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas em questão — entre provedores de internet, produtoras de eventos, firmas de contabilidade e empresas de fachada. LEIA MAIS: Quem é a mãe de OruamPF apreende santinhos de Canella na casa de alvo Rede de provedores O objetivo é desarticular a estrutura de provedores do tráfico que operam nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Essas firmas, segundo a PF, ainda lavam dinheiro para o CV. A PF afirma que Marcinho VP “continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção”. “Os lucros chegavam à família por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão — pagos em dinheiro vivo — e criptoativos”, explicou. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos provedores, com a adoção de providências para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas. “Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.” “A exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção”, explicou a PF. Os investigados responderão pelo crime de domínio social estruturado, que pune grupos que empregam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial e social, intimidar populações, reprimir autoridades e atacar serviços essenciais. Os investigados poderão responder também por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro. A ação desta segunda-feira se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa a combater organizações criminosas atuantes no RJ, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635. Outras investigações Em abril, Oruam, Márcia e Lucca tinham sido alvos de prisão em uma fase da Operação Contenção, deflagrada pela Polícia Civil do RJ, suspeitos de lavar dinheiro para o Comando Vermelho (CV). Eles não foram encontrados. Em maio, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou à Justiça Marcinho VP, Marcia, Oruam e outras 9 pessoas por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. 4 de 4 Márcia Nepomuceno e Oruam — Foto: Reprodução/Redes sociais
20/10/2026 (00:00)
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