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Por rios, estradas e rotas aéreas, Justiça Itinerante completa 20 anos de atendimento em Roraima

Legenda aquiSob sol ou chuva, por estradas secas, esburacadas ou alagadas, a equipe da Vara da Justiça Itinerante percorre Roraima para levar atendimento à população. Em cada trajeto, as condições do caminho ajudam a explicar por que aproximar os serviços judiciais das comunidades exige planejamento e capacidade de adaptação.Em maio de 2026, enquanto a equipe da Justiça Itinerante prestava atendimentos, Roraima atravessava um período chuvoso que levou municípios do estado a decretarem situação de emergência, entre eles Bonfim, Uiramutã, Normandia e Rorainópolis.Foi nesse contexto que, ao sair da Comunidade Anauá, no município de Caroebe, extremo sul de Roraima, a equipe ficou ilhada no meio da estrada. A água cobria o caminho, chegando à altura dos joelhos, e dificultava a passagem de veículos, expondo os desafios de manter o acesso à Justiça em regiões de deslocamento complexo.A imagem dos carros cercados pela água, em meio à vegetação densa, retrata uma realidade conhecida por quem percorre o interior de Roraima: em algumas localidades, o trajeto até o atendimento é tão desafiador quanto o próprio serviço. Estradas alagadas, pontes comprometidas, trechos sem sinal de comunicação e mudanças climáticas repentinas integram a rotina de quem leva a Justiça até onde precisa.A cena se torna então o símbolo de uma Justiça Itinerante que completa em 2026, 20 anos de atuação em Roraima, percorrendo rios, estradas e rotas aéreas para levar cidadania a quem vive longe dos centros urbanos e enfrenta obstáculos geográficos, sociais e econômicos.A trajetória ao longo dessas duas décadas reúne atendimentos em bairros da capital, municípios do interior e comunidades indígenas e ribeirinhas, com serviços que vão da emissão de documentos à solução de demandas familiares. Cada ação aproxima a Justiça de pessoas que nem sempre têm condições de chegar a uma unidade judiciária, criando oportunidades para esclarecer dúvidas, buscar orientações e acessar direitos.Durante esses vinte anos, a unidade adaptou sua atuação às características do território e às necessidades de diferentes públicos. A distância até os centros urbanos, as condições de deslocamento e as barreiras econômicas e linguísticas fazem parte do planejamento de cada ação e exigem atenção desde a definição dos trajetos até a forma de acolher e orientar a população. Nesse caminho, a escuta das comunidades ajuda a compreender demandas e a organizar um atendimento mais próximo de suas realidades, com respeito às particularidades culturais e aos modos de vida de quem vive em cada região.Embora a Vara tenha sido instalada em setembro de 2006, as primeiras iniciativas dessa trajetória começaram em 1997. Em 16 de abril daquele ano, a Resolução nº 001/97 criou o Juizado Especial Volante, levando o atendimento judicial para além das dependências do Fórum.A proposta foi apresentada pela então juíza Tânia Vasconcelos, hoje desembargadora do TJRR, após conhecer uma experiência de atendimento móvel no Acre. O modelo abriu caminho para a presença do Judiciário em localidades onde o deslocamento até uma unidade judicial representava uma dificuldade para a população.Na gestão do desembargador Elair Morais, o projeto ampliou seu alcance no interior. Um dos marcos dessa expansão foi a Cruzada da Justiça Itinerante, em novembro de 2000, no Baixo Rio Branco. Durante 15 dias, mais de 90 profissionais de diferentes instituições ofereceram serviços a centenas de moradores. Partida das embarcações da Cruzada Itinerante em Caracaraí para o Baixo Rio Branco - novembro de 2000Desembargador Elair de Morais e equipe de assessores durante atendimento da Cruzada da Justiça ItinerantePartida da Cruzada da Justiça Itinerante ao Baixo Rio Branco município de Caracaraí em 13 de novembro de 2000A expedição reuniu equipes do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Receita Federal, Justiça Eleitoral, Exército, Polícia Militar e da área da saúde.A servidora Ana Luiza relembrou as condições dos primeiros atendimentos, e o empenho para garantir a continuidade do trabalho. Legenda““Quando não havia espaço adequado, montávamos os computadores debaixo das árvores e atendíamos até a última pessoa. O cansaço desaparecia porque o trabalho era feito com amor e alegria. Foi muito gratificante”, recorda.Da atuação móvel à unidade especializada A demanda pelos serviços e a abrangência das ações levaram à instalação da Vara da Justiça Itinerante, em setembro de 2006, com competência para atuar em todo o estado. A unidade passou a concentrar iniciativas como o Programa Itinerante de Registros, os Núcleos de Atendimento e Conciliação, a Justiça no Trânsito e a unidade móvel.Veículo de atendimento do Juizado VolanteDesembargadora Tânia Vasconcelos em atendimento em Maturuca, 2005Desembargadora Tânia Vasconcelos durante atendimentos em uma unidade móvel ano de 2001Alunos da escola técnica Federal de Roraima conhecendo ônibus da Justiça Itinerante TJRR em 2005Tânia Vasconcelos assumiu a titularidade da Vara em 2006 e permaneceu à frente da unidade até setembro de 2010, quando se tornou a primeira mulher a integrar a Corte do TJRR. Ao recordar a atuação da unidade, a magistrada destaca o compromisso com a inclusão e a garantia de direitos.“A Justiça Itinerante é justiça em forma de amor. É inclusão, solução imediata e cidadania. Atende qualquer cidadão ou cidadã, de qualquer credo, cor ou raça, sem distinção, sempre de forma gratuita”, destacou a desembargadora Tânia Vasconcelos, que assumiu a titularidade da Vara em 2006 e permaneceu até sua promoção ao cargo de desembargadora, em setembro de 2010 — tornando-se a primeira mulher a integrar a Corte do TJRR." LegendaEXPANSÃOEntre 2010 e 2022, a condução coube ao então juiz Erick Linhares, hoje desembargador e corregedor-geral de Justiça. O período foi marcado pela ampliação dos serviços a povos indígenas e migrantes em situação de vulnerabilidade.{youtube}eLXbb9B7evI{/youtube}Legenda““Os primeiros e maiores atendimentos do Judiciário a comunidades indígenas foram conduzidos pela desembargadora Tânia Vasconcelos. Mas alguns grupos não haviam sido contemplados, por exemplo, em 2016, percebemos que não havia registro dos Waimiri Atroari. Com o apoio da Funai, conseguimos iniciar os serviços ali em 2018 e, hoje, toda essa população está devidamente documentada, inclusive com emissão de carteiras de identidade. Foi uma conquista histórica”.”. Entre as iniciativas estiveram os atendimentos para documentação do povo Waimiri Atroari, com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e a cooperação com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur). Para atender famílias vindas da Venezuela, a unidade adaptou procedimentos, com audiências em espanhol e dispensa de tradução de documentos.Chegada da Justiça Itinerante aos municípiosDesembargador Erick Linhares análisa solicitaçõesAtendimento que acompanha diferentes necessidadesDesde 2022, a Vara da Justiça Itinerante está sob a condução da juíza Graciete Sotto Mayor. A atuação inclui audiências, registros civis, casamentos coletivos, mutirões de retificação de nome e ações em parceria com outras instituições. Para a magistrada, a continuidade do trabalho e a ampliação do alcance das iniciativas são fundamentais para aproximar o Judiciário da população."É uma honra poder suceder dois grandes magistrados, a Desembargadora Tânia Vasconcelos e o Desembargador Erick Linhares, como titular da Vara da Justiça Itinerante. Nesses 19 anos, a vara aumentou a sua competência e os atendimento. Ano a ano, estamos indo a novos lugares, levando o Poder Judiciário a lugares mais distantes, usando a tecnologia, usando toda a estrutura do Poder Judiciário para que os nossos jurisdicionados sejam atendidos. Afinal de contas, é para isso que a Justiça Itinerante existe, para levar a cidadania a todo lugar"{youtube}G75cvBtSv8o{/youtube}LegendaA trajetória da Itinerante foi contada no documentário “História”, lançado em setembro de 2025. A produção resgata momentos da atuação da unidade e das pessoas que contribuíram para sua construção.Assista ao documentário História: Legenda"A trajetória da Itinerante foi contada no documentário “História”, lançado em setembro de 2025. A produção resgata momentos da atuação da unidade e das pessoas que contribuíram para sua construção.Assista ao documentário História".Nas comunidades atendidas, uma certidão, uma orientação jurídica ou a solução de uma demanda familiar podem abrir caminhos para outros direitos. É nesse encontro entre a equipe e a população que os 20 anos da Vara ganham sentido: na possibilidade de encontrar atendimento perto de onde se vive.Ação da Justiça Itinerante leva atendimentos para cidadãos de Iracema Cidadão com sua certidão de nascimento após ser atendido pela Vara da Justiça Itinerante em Iracema Atendimento da Itinerante na 3ª Semana Nacional do Registro Civil – Registre-se!, na isolada região de Surucucu, em Alto Alegre, maio de 2025Essa realidade também é retratada no documentário Por Céu, Terra e Água, que apresenta a atuação da Justiça Itinerante e os caminhos percorridos para levar os serviços à população.Assista ao documentário Por Céu, Terra e Água: Legenda"Imagine atender uma pessoa que chega descalça, de bermuda, depois de vários dias sem poder tomar banho. Para eles, a nossa presença na comunidade já é uma conquista. Recebem-nos como vivem no dia a dia, sem formalidade. E nós procuramos atender sempre com presteza, respeito e simplicidade, princípios que norteiam nosso trabalho." LegendaSegundo Darwin, esse respeito ao modo de vida das pessoas torna os atendimentos mais humanos e significativos:"Percebemos a alegria no rosto deles, a forma como nos tratam. Muitas vezes não se trata de algo grandioso — uma certidão de nascimento, um CPF, uma identidade. São documentos simples para nós, mas de enorme importância para eles. Cada atendimento é, na verdade, um resgate de cidadania”.Oficialização de união estável no município de São João da Baliza em 1° visita dia 21 de outubro de 2000Juíza Graciete Sotto oficializando um casamento no município do Cantá em 2025Atendimento da Itinerante na 3ª Semana Nacional do Registro Civil – Registre-se!, na isolada região de Surucucu, em Alto Alegre, maio de 2025Magistrados e servidores à frente da van utilizada pela Justiça no TrânsitoCOMEMORAÇÃOPara celebrar os 20 anos de instalação da unidade, o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) prepara uma programação especial no dia 29 de outubro, no auditório do Fórum Cível Advogado Sobral Pinto, em Boa Vista.As atividades começam às 8h, com a abertura de uma exposição fotográfica que reúne registros de atendimentos, expedições e comunidades visitadas, além das pessoas que ajudaram a construir essa história.Às 9h, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Marcelo Terto e Silva apresenta a palestra “Avanços e Desafios da Justiça Itinerante no Brasil”. O encontro abordará a evolução desse modelo no país e as possibilidades de ampliar o acesso aos serviços judiciais em localidades distantes ou sem estruturas permanentes do Judiciário.ONDE ESTAMOSCom sede no Fórum da Cidadania – Palácio Latife Salomão, em Boa Vista, a Vara da Justiça Itinerante mantém os deslocamentos pelo estado para aproximar os serviços de quem enfrenta dificuldades para chegar até eles.Vinte anos após sua instalação, a unidade segue enfrentando as distâncias e as dificuldades de acesso para aproximar os serviços judiciais de quem mais precisa deles.Atualmente a Vara da Justiça Itinerante está localizada no Fórum da Cidadania – Palácio Latife Salomão (Av. Glaycon de Paiva, 458-588, Centro, Boa Vista/RR).A matéria contém material multimídia. Abaixo, a descrição:Item 2: Imagem colorida, feita de cima, mostra uma estrada de terra alagada em meio à vegetação densa. Três veículos seguem pelo trecho coberto pela água.Item 3: Imagem colorida mostra uma ação da Justiça Itinerante em uma comunidade. Um grande grupo de pessoas está reunido em uma área aberta, enquanto um integrante da equipe, de costas e com camiseta da Justiça Itinerante, aparece em primeiro plano.Item 4: Imagem histórica mostra uma embarcação utilizada pela Cruzada da Justiça Itinerante, durante a partida de Caracaraí para o Baixo Rio Branco, em novembro de 2000.Item 5: Imagem histórica mostra integrantes da equipe da Cruzada da Justiça Itinerante reunidos durante atendimento no interior de Roraima.Item 6: Imagem histórica mostra embarcações navegando pelo Baixo Rio Branco durante deslocamento da Cruzada da Justiça Itinerante.Item 7: Vídeo horizontal apresenta entrevista com uma servidora da Justiça Itinerante sobre os primeiros atendimentos da unidade e os desafios enfrentados pela equipe ao levar os serviços às comunidades.Item 8: Imagem colorida mostra uma van bege utilizada pelo antigo Juizado Volante, estacionada em uma área externa. O veículo possui identificação do Poder Judiciário de Roraima na lateral.Item 9: Imagem histórica mostra um atendimento da Justiça Itinerante em uma estrutura coberta, com pessoas reunidas em torno da equipe durante uma ação em Maturuca, em 2005.Item 10: Imagem histórica mostra atendimento dentro de uma unidade móvel da Justiça Itinerante. Pessoas estão sentadas em torno de uma mesa durante o atendimento.Item 11: Imagem histórica mostra um ônibus utilizado pela Justiça Itinerante estacionado em uma área externa, com pessoas próximas ao veículo.Item 12: Vídeo horizontal apresenta entrevista com a desembargadora Tânia Vasconcelos sobre a trajetória e a atuação da Justiça Itinerante em Roraima.Item 13: Vídeo horizontal apresenta entrevista com o desembargador Erick Linhares sobre a expansão dos atendimentos da Justiça Itinerante, especialmente para povos indígenas e migrantes.Item 14: Imagem histórica mostra um grupo de pessoas em pé, lado a lado, próximo a uma aeronave utilizada em deslocamento da Justiça Itinerante. Ao fundo, há uma formação montanhosa.Item 15: Imagem histórica mostra um atendimento em ambiente interno. Um homem está sentado diante de documentos sobre uma mesa, enquanto outra pessoa, em pé, apresenta um papel.Item 16: Vídeo horizontal apresenta entrevista com a juíza Graciete Sotto Mayor sobre a atuação atual da Vara da Justiça Itinerante e a ampliação dos atendimentos ao longo dos anos.Item 17: Vídeo horizontal do documentário “Justiça Itinerante – História”, produção institucional que apresenta momentos da trajetória da unidade e depoimentos de pessoas que contribuíram para sua construção.Item 18: Imagem colorida mostra um grupo de adultos e crianças em frente a um ônibus azul e branco da Justiça Itinerante. Algumas pessoas seguram documentos recebidos durante o atendimento.Item 19: Imagem colorida mostra um homem sorrindo para a câmera enquanto segura uma certidão de nascimento. Ao fundo, há um banner da Justiça Itinerante.Item 20: Imagem colorida mostra atendimento da Justiça Itinerante em uma comunidade. Em primeiro plano, um integrante da equipe, de costas e com camiseta azul da unidade, está sentado diante de um computador. Outras pessoas recebem atendimento ao fundo.Item 21: Vídeo horizontal do documentário “Por Céu, Terra e Água”, que apresenta os diferentes caminhos percorridos pela Justiça Itinerante para levar serviços à população de Roraima.Item 22: Vídeo horizontal apresenta entrevista com o servidor Darwin de Lima sobre o atendimento às comunidades e a trajetória da Vara da Justiça Itinerante.Item 23: Imagem histórica mostra um homem e uma mulher em pé, lado a lado, atrás de uma mesa com um bolo decorado para casamento. A fotografia registra a oficialização de uma união durante uma ação da Justiça Itinerante.Item 24: Imagem colorida mostra uma cerimônia de casamento civil durante ação da Justiça Itinerante. Um casal está diante da magistrada responsável pela cerimônia, com uma pequena mesa e um bolo entre eles. Outras duas pessoas acompanham o momento.Item 25: Imagem colorida mostra atendimento da Justiça Itinerante durante a Semana Nacional do Registro Civil – Registre-se!, em uma comunidade indígena. Integrantes da equipe, usando camisetas azuis, trabalham diante de computadores enquanto moradores recebem atendimento ao redor.Item 26: Imagem histórica mostra cinco pessoas em pé, lado a lado, posando para a câmera em frente a uma van utilizada pela Justiça Itinerante.Texto: Mairon Compagnon e Juliana Soares - Jornalistas / Estagiários de JornalismoFotos: ArquivoOUTUBRO/2026 - NUCRI/TJRR
26/10/2026 (00:00)
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