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A cidade que a ficção inventa: Leprevost e Pellanda exploram o urbano como narrativa

Luiz Felipe Leprevost e Luís Henrique Pellanda se encontraram na FLAP neste domingo (26/4) para explorar como a literatura transforma Curitiba em narrativa. Na mesa “Inventando a cidade”, os dois escritores paranaenses debateram as Curitibas imaginárias que nascem das palavras — aquelas que existem além do mapa e só a ficção consegue habitar. A conversa partiu de uma premissa simples e provocadora: toda cidade é, antes de tudo, uma invenção. Leprevost, poeta e diretor da Biblioteca Pública do Paraná, e Pellanda, finalista do Prêmio Jabuti, trouxeram à discussão suas próprias experiências de transformar o cotidiano urbano em literatura — as ruas, os tipos humanos, o clima, a melancolia particular de uma cidade que se orgulha de ser fria em todos os sentidos. Pellanda definiu sua relação com Curitiba a partir de duas vocações que carrega desde a infância: a leitura e o caminhar. “No momento em que eu aprendi a ler, eu me tornei leitor. Grande parte das minhas experiências passaram pelo filtro das minhas leituras. E eu sou pedestre — até hoje não tenho carro.” Para ele, essas duas práticas são inseparáveis: foi andando pela cidade que descobriu que ela se presta a leituras, que nos obriga a leituras. O objetivo das suas crônicas, explicou, não é que o leitor se identifique com o narrador, mas que se reconheça nas pessoas com quem pide as calçadas. “Eu gostaria que as pessoas, ao lerem minhas crônicas, se identificassem com esse conjunto de forças — uma travesti, uma saudade amarinha, um viciado em crack, um PM, uma pessoa dormindo na calçada, um pequeno comerciante. Nós estamos ali juntos nessas ruas e somos iguais”, disse Pellanda. Leprevost chegou à mesa pelo caminho da vertigem. Seu livro As Crianças, publicado pela editora curitibana Toma Aí o Poema, nasceu de um momento de desorientação pessoal e literária. “Eu estive perdido por muito tempo, achando que estava sabendo o que estava fazendo. Mas na verdade, em algum momento, esse lugar se abriu como um abismo pra mim.” Foi nesse livro que ele se reencontrou — com a cidade, com a memória, com um lado de Curitiba que considerava mais solar do que aquele em que vinha vivendo. “Com esse livro, eu acho que consegui virar uma página e acessar o tipo de relação que eu tinha comigo mesmo, com a memória, com os familiares e com a cidade que estava perdida.” As crônicas de As Crianças transitam entre tempos — infância, presente e futuro coexistindo na mesma página. Leprevost lembrou da Curitiba do bairro Santa Quitéria, onde cresceu, com valetas, cavalos pastando e terrenos sendo urbanizados. “Tudo isso são Curitibas que me habitam, e que estão também soterradas na Curitiba de hoje. Essas camadas de Curitibas vão nos trazendo até esse ponto em que nos encontramos hoje.” Para ele, a cidade sempre teve algo de interior, apesar da modernidade — e é justamente isso que a torna literária. “Sempre achei que era uma cidade que, apesar da sua modernidade toda, tinha, e ainda mantém em muitos aspectos, uma coisa de cidade pequena, de cidade do interior.” O debate revelou como Curitiba ocupa um lugar singular na ficção brasileira: uma cidade que inspira seus escritores não pela exuberância, mas pela contenção. Para os dois autores, é justamente nesse espaço entre o real e o inventado — entre a rua que existe e a rua que a literatura preserva — que a literatura paranaense encontra sua voz mais original.
26/04/2026 (00:00)
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