Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo
Entenda como vai funcionar o alerta em publicidade de bets As apostas online, conhecidas como bets, provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros. O estudo foi elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), com base em dados do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e em análises próprias. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O levantamento chama de saída líquida a diferença entre tudo o que os apostadores colocaram nas plataformas de apostas e o dinheiro que voltou para eles em forma de prêmios. Ou seja, o cálculo mostra quanto de recurso, no saldo final, saiu do bolso dos jogadores e ficou no setor de apostas. 🔎 Em nota, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, criticou os dados. A entidade afirmou que o levantamento comete "erros graves", "ignora fatores macroeconômicos" e disse que a receita bruta oficial do setor foi de R$ 37 bilhões em 2025, contestando a estimativa apresentada pelos secretários de Fazenda. (leia a nota completa no fim desta reportagem) Segundo o estudo do Comsefaz, somente em 2025, a saída líquida de recursos das famílias para as bets chegou a R$ 62,5 bilhões, o equivalente a cerca de 0,68% da renda disponível das famílias. "Esse montante representa uma transferência expressiva de renda das famílias para esse setor, com potencial impacto sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros", afirma o levantamento. Segundo os pesquisadores, o dinheiro destinado às apostas reduz os recursos disponíveis para outros gastos e pode aumentar a pressão sobre o orçamento doméstico, especialmente em um cenário de elevado enpidamento e comprometimento de renda. O estudo destaca que a expansão das bets se tornou um fator adicional de vulnerabilidade financeira para as famílias brasileiras, ao somar-se a um ambiente de juros elevados e maior dificuldade para administrar as despesas. Para os autores, essa transferência de recursos ajuda a explicar por que o consumo das famílias tem crescido em ritmo menor que o esperado, mesmo com o mercado de trabalho aquecido e a renda em alta. Além disso, o relatório destaca que as bets têm baixo efeito multiplicador sobre a economia. 💰 Diferentemente dos gastos com bens e serviços, os recursos direcionados às plataformas de apostas geram menos circulação de renda, empregos e atividade econômica, reduzindo o impacto positivo que outras formas de consumo poderiam ter sobre a economia. Pix impulsionou expansão O levantamento mostra ainda que o Pix virou a principal ferramenta usada pelos brasileiros para colocar dinheiro nas plataformas de apostas, com uma explosão no volume de transferências para empresas ligadas a esse setor após a regulamentação das bets. Antes da regulamentação das bets, em janeiro de 2025, as transferências mensais de pessoas físicas para empresas do segmento de artes, cultura, esporte e recreação giravam em torno de R$ 5 bilhões. Segundo a análise, a expansão das bets adicionou, em média, R$ 24,1 bilhões por mês às transações via Pix entre outubro de 2024 e março de 2026. No acumulado de 2025, esse volume adicional foi estimado em R$ 350,97 bilhões. O estudo também indica que as famílias de menor renda tiveram participação relevante no mercado de apostas. Como evidência, os pesquisadores citam a restrição criada pelo governo federal em outubro de 2025 para impedir que beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) utilizassem recursos de benefícios em plataformas de apostas. A medida foi adotada após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar que valores destinados à assistência social fossem usados nas chamadas bets. Segundo o relatório da Comsefaz, depois da medida, o ritmo de crescimento das transferências via Pix para plataformas de apostas diminuiu. Para os pesquisadores, isso é um sinal de que beneficiários de programas sociais tinham uma participação relevante no uso de casas de apostas. "Esse resultado reforça o diagnóstico de vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras no atual ciclo econômico", afirma o estudo. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) vem a público repudiar a pulgação de dados falsos, pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), sobre um suposto volume de transações por pix no Brasil atribuído ao mercado de apostas on-line. Além de cometer erros graves na linha temporal à qual as transações se referem, o levantamento ignora fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento, em persos setores da economia, do uso do pix como meio de pagamento. Não procede a informação de que “famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões” para as bets em 2025. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a receita bruta do setor, no ano passado, foi de R$ 37 bilhões, quase a metade, portanto, do estimado pelo Comsefaz. Importante destacar que as transações que constam do estudo se referem a transferências líquidas de pessoas físicas para pessoas jurídicas para quatro segmentos: artes, cultura, esportes e recreação, nos quais estão se inserem uma enorme variedade de prestadores de serviços de entretenimento, não apenas as bets. Soma-se a isso a omissão de processos de mudanças na dinâmica do consumo no país, com o aumento da bancarização, fazendo com que mais pessoas passassem a usar o pix em vez de outras formas de pagamento. A indústria de apostas, mais uma vez, se manifesta contrária a pulgações irresponsáveis, tendenciosas e generalistas, de dados financeiros que não correspondem à realidade do setor, cujo retrato fiel é monitorado e pulgado apenas pelo poder regulador. 1 de 1
Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares