Caso Henry Borel: réus são interrogados no nono dia de julgamento
O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e de Monique Medeiros da Costa e Silva, foi retomado nesta terça-feira, dia 2 de junho, às 10h30, com o depoimento da mãe do menino Henry Borel, de quatro anos de idade. Os dois são réus pela morte da criança, que ocorreu em 8 de março de 2021.
A sessão de julgamento teve início no dia 25 de maio e já tem a duração de nove dias no II Tribunal do Júri, sob a presidência da juíza Elizabeth Machado Louro, sendo considerado o mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Por determinação do desembargador Sidney Rosa, da Sétima Câmara Criminal, em decisão de 27 de maio, Monique foi a primeira ré a ser ouvida no plenário. Jairinho acompanhou parte do interrogatório.
À juíza Elizabeth Machado Louro, Monique fez um relato do seu relacionamento com Jairinho, repetindo situações que já havia contado anteriormente na audiência de instrução. Na época em que começaram o namoro, o ex-vereador estava porciado e tinha três filho. Eles moravam em casas separadas em Bangu e, meses depois, se mudaram para um apartamento na Barra da Tijuca, contratando a babá Thayná de Oliveira.
Por persas vezes em seu depoimento, Monique afirmou que jamais desconfiou do comportamento do ex-companheiro. Disse que ele se mostrava educado, gentil e, constantemente, comprava brinquedos para Henry.
Monique relatou um episódio que considerou estranho, após o menino passar o fim de semana com o pai, Leniel Borel. Ao devolver o filho, Leniel a alertou que Henry tinha reclamado de um abraço apertado de Jairinho e que pediu que ela não deixasse o menino sozinho com o seu companheiro. Monique atribuiu o fato a ciúmes do ex-marido e respondeu que a criança gostava de ser abraçada, como ocorria com um dos personagens do filme “Frozen”. No entanto, interfonou da portaria para Jairinho, para que ele e o ex-marido conversarem.
A decepção de Monique com o ex-namorado começou com o telefonema de Débora Saraiva, que dizia ser namorada há seis anos de Jairinho. Ela confrontou o companheiro, que negou o relacionamento. Até então, para ela, Jairinho demonstrava excessivo ciúme, a ponto de não aceitar que tivesse aulas de ginástica e futevôlei com treinadores masculinos.
Em seu interrogatório, Monique também contou que Jairinho tinha a senha do seu celular e um aplicativo para controlar onde ela estivesse, mas nunca forneceu esses dispositivos para a companheira. “Achava que o ciúmes do Jairinho era amor, carinho, cuidado, o que eu não tive no meu casamento de 10 anos. Além de ter minha localização do celular, pediu que eu bloqueasse os amigos homens nas redes sociais. Também tinha muito ciúmes do Leniel.”
Ela também relatou que o ex-vereador passou a controlar as roupas que usava e contou um episódio. “Disse que eu estava na academia de calça, mas menti, estava de short. Aí ele me mandou uma foto minha e perguntou ‘o que é isso aqui?’, e era eu na academia de short. Eu achava que a errada era eu, que eu tinha mentido para ele. Ele brigou comigo e, no dia seguinte, me pediu desculpas, me deu um buquê de flores.”
Com os meses de convivência na Barra da Tijuca, de acordo com a ré, o comportamento de Henry se transformou. Em uma ocasião, o filho e Jairinho estavam na sala e o menino foi à cozinha, contando que o padrasto tinha dado uma “moca” em sua cabeça e uma banda. Jairinho negou. Explicou ter segurado a criança pelos braços e passado a sua perna entre as do menino, sem o derrubar. Acrescentou que Jairinho teria dito que Henry era uma criança mimada.
O menino passou a pedir para ficar mais tempo na casa dos avós, em Bangu.
Babá Thayná
Monique teve crise de choro ao contar o episódio em que a babá Thayná avisou que Jairinho teria chegado em casa e ido com o menino para o quarto. Ela disse que estava em um salão de beleza no shopping e que passou a insistir para que a babá abrisse a porta do quarto e que, por mensagem, a babá respondeu que ouvia o som da televisão e que bateu na porta do quarto até que Jairinho a abriu e Thayná enviou uma foto com o menino no colo e disse que ele estava bem.
A mãe de Henry disse que quando retornou para casa, o filho se queixou de dores no joelho e ela interpelou Jairinho, que disse que a criança tinha caído da cama.
Monique também disse que Thayná jamais afirmou que Jairinho torturava o seu filho.
Segundo ela, os parentes de Thayná trabalhavam para a família do coronel Jairo, pai do ex-vereador. Além disso, acrescentou ser mentira a afirmação da babá, de que teria exigido que fossem apagadas as mensagens no celular. A ordem teria sido dada por Talita, irmã de Jairinho.
Morte de Henry
Monique contou que, na véspera da morte da criança, ela e Jairinho assistiram uma série na televisão e beberam vinho. De acordo com ela, Jairinho a teria dopado e, no meio da noite, a acordou para contar que a criança tinha gritado e caído da cama. Eles a levaram ao Hospital Barra D’Or, onde os médicos tentaram reanimar o menino. Leniel chegou ao hospital e, ao ser informado da morte do filho, foi à delegacia em companhia de um amigo, que seria policial civil.
Jairinho teria se ausentado do hospital e, segundo Monique, ele esteve em casa, antes de comparecerem à delegacia.
Até então, Monique diz que acreditava que o filho fosse vítima de um acidente doméstico. Ela somente soube da causa da morte do filho com o laudo do IML, que atestou laceração hepática por ação contundente.
Questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro se ela acreditava que Jairinho seria o responsável pela morte de Henry, Monique respondeu: “Creio que foi o Jairo.”
Ainda durante o seu interrogatório, Monique disse que, antes de os dois serem presos, chegou a confrontar Jairinho afirmando que ele teria matado o seu filho. De acordo com a mãe do menino, o ex-vereador pegou uma bíblia, colocou a mão sobre ela e disse que jurava pelos meus três filhos que nunca teria encostado um dedo no filho dela.
Após o fim do interrogatório de Monique Medeiros, foi iniciado, às 16h52, o depoimento de Jairo Souza Santos Júnior, que responde às perguntas elaboradas pelos seus advogados.
PC/IA/MB