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Especialistas e movimentos sociais discutem impactos de grandes obras em seminário

A Semana de Meio Ambiente da Alepe teve início nesta segunda (1), com um seminário para debater os impactos ambientais de grandes empreendimentos. Promovido pela Comissão de Meio Ambiente, o evento trouxe palestrantes que defendem comunidades afetadas por grandes obras de infraestrutura, como usinas eólicas, linhas de transmissão e rodovias.  A presidente do colegiado, deputada Rosa Amorim (PT), avalia que o tema “está no centro da discussão socioambiental de Pernambuco”. “É crucial debater os grandes empreendimentos em todos os biomas pernambucanos, do Sertão ao Litoral. Isso inclui os complexos eólicos, os projetos na beira-mar, a privatização das praias e a expulsão de comunidades tradicionais em decorrência da mineração”, listou a deputada. Usinas  Um dos exemplos citados no seminário foi o impacto de usinas eólicas e solares e de linhas de transmissão de energia em comunidades rurais, especialmente no Agreste Setentrional.  A professora de Geografia da UFPE Carolina Leite afirmou que empresas assediam proprietários dos terrenos das torres eólicas, propondo contratos complexos que podem durar até 80 anos para pessoas que não sabem ler. Ela também citou impactos das usinas na saúde das pessoas e no equilíbrio ambiental. “Um estudo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) constatou crianças de menos de 12 anos que perderam 40% da sua audição”, alertou a pesquisadora. “As eólicas afetam persos animais, principalmente os que voam, como pássaros, morcegos e abelhas. Não se faz roça sem animais polinizadores, e impactando a saúde animal, impacta a economia dessas comunidades”, completou Carolina Leite.  Mata Atlântica Grandes obras previstas para o estado, como o Arco Metropolitano e a Escola de Sargentos em Aldeia, foram abordadas por Herbert Tejo, do Fórum Socioambiental de Aldeia. Ele ressaltou que a luta da sociedade civil já conseguiu diminuir o impacto da supressão de área de mata para a Escola de Sargentos.  “O complexo militar é importante, mas foi escolhido para ser instalado exatamente dentro dos restos de mata atlântica que nos restam. O projeto original ia desmatar quase 200 hectares, 2 quilômetros quadrados. Depois de muita luta da sociedade civil, isso foi reduzido para 100 hectares”, relatou o ativista ambiental. “Mas ainda vamos perder 1 quilômetro quadrado de vegetação num estado onde praticamente não existe mais mata atlântica”, lamentou.  Herbert Tejo também cobrou medidas mais incisivas para fiscalizar unidades de conservação e um esforço efetivo para a criação de um corredor ecológico para o resquício de Mata Atlântica em Pernambuco.  A reunião também teve a participação de representantes de trabalhadores rurais, indígenas e quilombolas, e contou na plateia com estudantes do Ginásio Pernambucano. Também estiveram presentes o deputado João Paulo do PT (PT), e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE) e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).  
01/06/2026 (00:00)
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