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Controle de Processos

OAB Responde: entenda a MP que altera tributação de compras internacionais

O Governo Federal publicou, no Diário Oficial da União de 12 de maio, uma Medida Provisória que altera as regras de tributação simplificada das remessas postais internacionais e zera o imposto de importação para compras online de até US$50. O tema ficou conhecido popularmente como “taxa das blusinhas”, apesar de não se aplicar apenas a roupas, mas às compras internacionais realizadas por pessoas físicas. O presidente da Comissão de Direito Tributário da OAB-CE, Hamilton Sobreira, explica que a medida trata do imposto de importação incidente sobre compras feitas no exterior. “Foi retirada a alíquota de 20% que incidia sobre esses produtos de baixo valor. O ICMS continua, e a alíquota varia de acordo com o estado”, destacou. Para Hamilton Sobreira, a medida envolve não apenas arrecadação, mas também traz efeitos econômicos sobre o mercado nacional. “No primeiro momento, pode ser interessante para a população porque esses produtos chegam mais baratos ao Brasil. Por outro lado, isso influencia diretamente os produtos brasileiros, que já possuem uma carga tributária alta. Então, o governo e os setores da economia precisam avaliar muito bem os efeitos da não tributação dos produtos vindos do exterior porque os produtos brasileiros não ficam competitivos, favorecendo as empresas de fora do país”, concluiu. Impactos da medida A presidente da Comissão de Direito da Indústria e Comércio da Moda da OAB-CE, Manuela Vieira, reforça que o debate não deve ser tratado apenas sob a perspectiva tributária, mas também sob a ótica da adaptação do próprio mercado brasileiro diante das transformações do consumo e da globalização. Segundo ela, empresas da moda, do varejo e da indústria têxtil precisarão investir mais em inovação, diferenciação, posicionamento de marca e experiência do consumidor para se manterem competitivas em um cenário internacional cada vez mais digital e acessível. “É fundamental a construção de soluções equilibradas que conciliem competitividade, desenvolvimento econômico, proteção da indústria brasileira e acesso do consumidor a produtos mais acessíveis”, afirma. A advogada Carolina Lago, vice-presidente da Comissão, acrescenta que o setor de vestuário é um dos grandes geradores de emprego no Brasil, especialmente para mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. De acordo com ela, enfraquecer a indústria nacional sem mecanismos mínimos de isonomia pode gerar reflexos relevantes para a economia, para a manutenção de empregos e para o fortalecimento do empreendedorismo brasileiro. De acordo com o Governo Federal, a medida busca aperfeiçoar o tratamento regulatório das remessas postais internacionais destinadas aos consumidores brasileiros, além de fortalecer mecanismos de conformidade e fiscalização.
23/06/2026 (00:00)
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