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Controle de Processos

TJSP e Polícia Penal promovem encontros circulares de Justiça Restaurativa a policiais penais

Diálogo como ferramenta para transformar relações no sistema prisional. Em uma salana Penitenciáriada Capital, nestasegunda-feira (6), cerca de 20 policiais penais sentaram-se em círculo para falar — e, sobretudo, escutar. Não havia hierarquia visível, nem protocolos rígidos. O convite era outro: compartilhar experiências, revisitar escolhas e refletir sobre o impacto do próprio trabalho. A cena faz parte de uma série de cincoencontrosrealizados entre março e abrilpeloGrupo Gestor da Justiça Restaurativa (GGJR)do Tribunal de Justiça de São Pauloe pelaPolícia Penal, vinculada à Secretaria da Administração Penitenciária. A ação tem o apoio da Corregedoria-Geral da Justiçade São Paulo,do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF)edo Instituto Cultura Restaurativa (ICR). Ao todo, cerca de 120 profissionais participarãodas atividades,que têm como objetivo apresentaruma abordagem ainda pouco difundida no ambiente prisional: a Justiça Restaurativa. A iniciativa integra o Plano Pena Justano Estado de São Paulo,queestabeleceu metas e diretrizespara reduzir a superlotaçãono sistema prisional, melhorar as condições das unidades e fortalecer a reintegração social de pessoas privadas de liberdade.O plano nacional écoordenadopelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP),pautadopela ADPF 347 do STF, para enfrentar o "estado de coisas inconstitucional" no sistema prisional. Nesse contexto, osencontros, em formato de círculo de diálogo restaurativo,sãocomo uma porta de entrada. A proposta éapresentaratécnica daJustiça Restaurativana teoria e na práticaa policiais em fase final de formação e identificar aqueles interessados em aprofundar o aprendizado, com a perspectiva de atuarem, futuramente,na transformação das relações, inclusivecomo facilitadores. Nos próximos meses, estão previstos cursos teóricos e práticos sobre o tema, em parceria com aEscola da Polícia Penal. Para além da técnica, a Justiça Restaurativa se propõe a ser uma mudança de olhar. Parte da ideia de que o conflito não se esgota na infração cometida nem se resolve apenas com punição. A violência, nessa perspectiva, atravessa dimensões persas, inpiduais, institucionais e sociais, e exige respostas que levem em conta as relações afetadas.A Justiça Restaurativa também atua na transformação da convivência, a partir da estruturação de um novoolhar de cooperação e de cuidado uns com os outros, o que traz como resultado a prevenção de conflitos, que ganha foco neste projeto na unidade prisional. Nosencontros circulares,ospoliciais penaistêm a oportunidade devivenciaro métodoao participar dos chamados Círculos de Construção de Paz.Sentados ladoa lado, são convidados a falar sobre o que os levou à profissão e a recordar momentos em que sentiram ter feito diferença na vida de alguém.Os círculos foramconduzidospela psicóloga SabrinaParolie pela advogada criminalista Fabiana Zanatta Viana, do ICR, além do juizMarceloNalessoSalmaso, coordenadordos trabalhos do GGJR e integrante doComitê Gestor Nacional da Justiça Restaurativa noCNJ. O encontro do dia 6 contou também com a presença da juízaassessora da CorregedoriaLuciana Netto Rigoni,que atua no Plano Pena Justa. Ao longo da conversa, surgiram relatos que raramente encontram espaço no cotidiano operacional. Histórias de tensão, mas também de reconhecimento, de dúvida e de propósito.“A Justiça Restaurativa parte da ideia de que não existe solução simples para problemas complexos, então seus métodos trabalham o conflito com a lógica da reparação de danos e da responsabilização. A conversa em círculos é umdos métodose nos permite escutar de verdade. É mais do que ouvir, envolve participar realmente daquela conversa e assumir o protagonismo pelos planos de ação”, explicao coordenador do GGJR, juiz MarceloNalessoSalmaso. A aposta é que, ao fortalecer essas habilidades, seja possível transformar não apenas a forma como conflitos são tratados, mas também as relações dentro das unidades prisionais, um espaço historicamente marcado por rupturas.
08/04/2026 (00:00)
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