CNJ lança curta-metragem após Corte IDH declarar o cuidado como Direito Humano
O reconhecimento do cuidado como um direito humano pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) é o ponto de partida do novo curta-metragem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), intitulado Precisamos Falar de Cuidados. A produção audiovisual reúne depoimentos de magistrados, servidores e usuários da Justiça para debater os impactos dessas responsabilidades na rotina de quem compõe o Judiciário e a necessidade de uma pisão mais justa dessa carga.
Produzido pelo Grupo de Trabalho de Cuidados do CNJ, o filme integra as ações de construção da Política de Cuidados no Poder Judiciário. A decisão histórica da Corte IDH, ocorrida em dezembro de 2025, reafirmou que toda pessoa tem o direito de cuidar, ser cuidada e praticar o autocuidado.
A Corte também destacou que a responsabilidade pelo cuidado não deve recair apenas sobre as famílias. Estado, comunidade e setor privado compartilham o dever de garantir esse direito. Para o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, o curta contribui para ampliar esse debate no âmbito institucional. “Mais do que um registro audiovisual, o curta-metragem é um instrumento de sensibilização e transformação institucional”, afirma.
Desigualdade estrutural
Embora seja fundamental para a sustentação da vida e para o funcionamento da sociedade, o trabalho de cuidado continua sendo distribuído de forma desigual. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres destinam, em média, 21,3 horas por semana às atividades domésticas e de cuidado, enquanto os homens gastam 11,7 horas.
Leia mais: Trabalho de cuidado recai mais sobre mulheres, mas é responsabilidade de todos
Essa desigualdade também aparece nos relatos reunidos pelo filme. Segundo a diretora Paula Sacchetta, a predominância de mulheres entre as pessoas entrevistadas mostra como o cuidado permanece recaindo mais sobre as mulheres.
“Embora seja um material muito perso, dos 87 depoimentos coletados, 72 foram de mulheres. Isso nos dá a dimensão de como o cuidado é tão inerente a nós enquanto sociedade e como, ao mesmo tempo, ele é tão invisibilizado”, afirma.
Os depoimentos revelam como as demandas de cuidado afetam trajetórias pessoais e profissionais, com impactos sobre renda, tempo disponível e acesso a oportunidades. Ao reunir histórias de diferentes regiões do país, Precisamos Falar de Cuidados chama atenção para a necessidade do fortalecimento de políticas públicas que redistribuam o trabalho de cuidado de maneira justa.
O curta-metragem Precisamos Falar de Cuidados está disponível no canal do CNJ no YouTube.
Texto: Lali Mareco
Edição: Beatriz Borges
Revisão: Gabriela Amorim
Agência CNJ de Notícias
Número de visualizações: 6