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Em palestra para a advocacia paranaense, Ruth Manus convida mulheres a reconhecer a sobrecarga — e a encontrar o próprio caminho entre a maternidade e a carreira

A advogada e escritora Ruth Manus trouxe à sede da OAB Paraná, na segunda-feira (25), uma conversa que misturou leveza, provocação e profundidade sobre uma pergunta que atravessa a vida de milhares de profissionais: como é possível ser mãe, advogada e mulher sem se perder no caminho? Com o título “Entre o terrorismo e o romantismo, deve haver uma maternidade possível”, a palestra foi promovida pela Caixa de Assistência dos Advogados do Paraná (CAA-PR) e reuniu advogadas, gestoras e lideranças da advocacia paranaense.A abertura do evento contou com as presenças de Rafaela Küster, que definiu o encontro como “uma conversa muito importante e sensível sobre os caminhos que as mulheres percorrem na carreira e na maternidade”; de Luiz Eduardo, representante do Nissei, apoiador do evento, que reforçou o compromisso da empresa com a promoção de saúde e bem-estar dos advogados; e de Raquel Pereira Gonçalves, que deu o tom da tarde ao afirmar: “Onde não há equidade, a Justiça é apenas aparente.” Também participaram da abertura Silvana Cristina Oliveira Niemczewski e Maíra Marques da Fonseca, diretora da ESA. Estiveram presentes ainda o presidente da CAA-PR, Fernando Deneka, a vice-presidente da OAB Paraná, Graciela Marins, a conselheira federal Marilena Winter, Emma Roberta Palu Bueno, diretora de comissões, Laola Marinho de Oliveira, diretora de Cultura e Filantropia da CAA-PR, a secretária-geral adjunta da CAA-PR, Rubia Carla Goedert, entre outras lideranças. O centro da questão A própria palestrante admitiu, logo de saída, que chegou ao evento como uma mulher muito cansada, após uma noite mal dormida. E foi justamente a partir daí que construiu sua reflexão — porque o cansaço, para ela, não é detalhe: é o centro da questão.“Não dá pra ter uma conversa sobre o mês de maio ou sobre maternidade sem comentar como as mulheres estão sobrecarregadas em todas as relações familiares”, disse Ruth, que conduziu o público por uma análise honesta da dinâmica de sobrecarga feminina dentro e fora de casa.A palestrante foi direta ao situar o debate: não se trata de uma crítica aos homens, mas a um sistema que naturaliza privilégios. “Não é sobre ser contra os homens, mas sobre um sistema que legitima tanto conforto pra eles”, afirmou. Ruth relatou a experiência de palestrar em escritórios onde jovens advogadas desejam ser mães e já antecipam o desafio de conciliar carreira e maternidade — e destacou que os homens jovens também precisam ser incluídos nessa conversa. “A gente precisa entender que as crianças existem, que a maternidade existe e que a paternidade precisa existir de outra forma.” O lazer que as mulheres não encontram Um dos momentos mais marcantes da tarde foi quando Ruth virou a pergunta para a plateia: “Vocês sabem do que vocês gostam de brincar?” A questão não era retórica. Para a palestrante, a ausência de lazer genuíno é um dos sintomas mais graves da sobrecarga. “A gente não descobriu o nosso lazer. Se a gente não sabe do que a gente gosta, a gente não tem lazer. Se a gente não tem lazer, a gente não descansa.”O diagnóstico se estendeu às redes sociais: “As mensagens que o algoritmo traz é que você é insuficiente. Eles te geram o problema e vendem a solução.” E reconheceu que o cansaço da maternidade raramente vem dos filhos. “Os filhos trazem coisas muito preciosas, como voltar a brincar.” Autoconhecimento como resistência Ao encerrar, Ruth Manus deixou um recado que ecoou pelo auditório — uma mistura de convocação e cuidado: “Para a gente ter momentos de prazer, a gente precisa de algumas doses de autoconhecimento que o mundo não quer que a gente tenha.”E concluiu com palavras que soaram como um abraço: “Só vocês sabem a história de vocês. Só vocês são capazes de honrar essa história. Cuidem de vocês, cuidem.”
26/05/2026 (00:00)
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