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Entre labirintos e invenções: escrita criativa mobiliza público na FLAP

Os caminhos da escrita — o que leva alguém a escrever e até onde a literatura pode mobilizar — estiveram no centro da mesa que encerrou a programação deste domingo (26) na Festa Literária de Ponta Grossa. Com mediação de Fernanda Magalhães, o encontro reuniu a escritora paranaense Luci Collin e a fundadora de uma escola de escrita, Julie Frank, em uma conversa sobre aprendizado, prática e os sentidos contemporâneos da criação literária. Logo na abertura, Luci Collin celebrou a presença do público como sinal da força da literatura. “É uma alegria ver todos esses corações pulsando pela arte”, afirmou, destacando que a literatura não apenas sensibiliza no momento solitário da leitura, mas também mobiliza e cria conexões. Para ela, o desejo de escrever nasce justamente dessa potência de alcançar o outro pela palavra. A discussão avançou para o ensino da escrita criativa, ainda pouco estruturado no Brasil. Julie Frank ressaltou o caráter pioneiro de iniciativas voltadas à formação de escritores e defendeu a democratização do acesso à arte. Vinda de uma formação familiar ligada às artes, ela afirmou que aprender a escrever não deve ser privilégio de uma “aristocracia cultural”. “Qualquer pessoa pode aprender arte. A gente precisa de um lápis, um papel e um pouco de obsessão”, disse, desmontando a ideia de que a escrita depende exclusivamente de talento inato ou inspiração mística. Sem torre de marfim Luci Collin reforçou essa crítica ao mito do escritor como alguém isolado em uma “torre de marfim”. Para ela, ainda há uma tendência de tratar o livro de forma dissociada das outras artes, como se a literatura fosse um dom exclusivo de poucos. “A escrita sempre ficou nesse lugar: ou você nasce escritor, ou a musa vem e você escreve. Mas o que é essa musa senão uma tendência, um impulso que também pode ser trabalhado?”, questionou. Ao abordar a chamada “literatura de invenção”, Collin evocou Gustave Flaubert para refletir sobre o desejo de romper com formas tradicionais. Segundo ela, há hoje uma saturação de modelos lineares de narrativa, abrindo espaço para experimentações que dialogam com outras áreas do conhecimento, como a psicologia e a biologia. Nesse contexto, o leitor deixa de ser passivo e passa a ocupar um papel mais ativo, preenchendo lacunas e participando da construção do sentido. Presença feminina Julie Frank também destacou a dimensão histórica e política da escrita, especialmente no caso das mulheres. “A mulher sempre foi a anônima, a ghostwriter do marido. Só a nossa presença aqui já diz muito”, afirmou, apontando para transformações em curso no campo literário. A conversa trouxe ainda reflexões sobre o imaginário em torno da autoria. Questionada sobre a intensidade das experiências vividas por suas personagens, Luci Collin respondeu com ironia: “Se eu tivesse vivido um quinto do que elas viveram, ou estaria no hospício ou presa”. A fala sintetiza uma das ideias centrais da mesa: escrever não é apenas relatar o vivido, mas inventar, deslocar e expandir as possibilidades da experiência humana. Entre provocações e partilhas, o encontro evidenciou que a escrita, longe de ser um território restrito, é um campo aberto — atravessado por desejo, experimentação e, sobretudo, pela capacidade de reinventar o mundo pela linguagem. Crédito de imagens: Antônio More e Marcelo Elias
26/04/2026 (00:00)
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