OAB-PR acompanha operação da PCPR que cumpre 32 mandados de contra grupo investigado pelo golpe do falso advogado
A OAB Paraná acompanha de perto a investigação que resultou na operação deflagrada nesta quinta-feira (8/10) pela Polícia Civil do Paraná contra um grupo suspeito de aplicar o golpe do falso advogado. Ao todo, foram cumpridos 32 mandados no Ceará, sendo 15 de prisão temporária e 17 de busca e apreensão, em endereços de Fortaleza, Maracanaú e Eusébio. A vítima é paranaense, e o prejuízo chegou a cerca de R$ 2 milhões.
Desde o início, a OAB Paraná atua em interlocução com o Ministério Público e o Judiciário para contribuir com o andamento do caso. Para Leandro Pereira, presidente da Comissão de Inteligência e Combate ao Golpe do Falso Advogado da OAB Paraná, a articulação entre as instituições é essencial: “Essa aproximação institucional é fundamental para contribuir com o enfrentamento desse crime, respeitando a independência e as atribuições de cada órgão”.
Posicionamento da OAB-PR
Leandro Pereira destaca a importância da operação. Na avaliação do advogado, a operação realizada hoje, com o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão, demonstra a importância do trabalho conjunto e representa um avanço significativo no combate às organizações criminosas que prejudicam a população e utilizam indevidamente a identidade de profissionais da advocacia. “Seguiremos atuando para fortalecer a prevenção, incentivar as denúncias e contribuir para a responsabilização dos envolvidos”, afirmou.
A presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB Paraná, Bárbara Ferrassioli, ressaltou a resposta dada pela operação. “A operação deflagrada na manhã de hoje pela Polícia Civil do Paraná traz uma resposta importante e muito aguardada pela advocacia e pela sociedade paranaense no combate ao golpe do falso advogado, um mal que tem assolado a nossa comunidade. Agradecemos à Polícia Civil pelo incansável trabalho investigativo e agora confiamos que a Justiça e o Ministério Público façam a sua parte, para que esses criminosos sejam punidos com o rigor da lei”, frisou
Como funciona o golpe
A investigação da PCPR apurou que os criminosos utilizaram a identidade de um advogado e se apresentaram falsamente como representantes de instituições públicas e financeiras. Uma das vítimas, uma pessoa idosa, fez persas transferências bancárias para contas vinculadas aos investigados.
“O golpe utilizou uma das principais ferramentas dos crimes digitais atuais: a engenharia social. Os autores entraram em contato com a vítima utilizando informações e identidades que transmitiam aparência de legitimidade, criando um ambiente de confiança para que ela acreditasse estar tratando com pessoas legítimas”, explica o delegado da PCPR Emmanoel David.
Como o dinheiro foi pidido e repassado
Após as transferências, teve início uma segunda etapa do esquema, a chamada pulverização financeira. O fluxo do dinheiro foi reconstruído a partir de um trabalho técnico realizado pela investigação especializada. Ao todo, 15 pessoas foram identificadas, sendo 11 beneficiários primários, cujas contas receberam diretamente os valores enviados pela vítima, e quatro beneficiários secundários, que recebiam reiteradamente valores provenientes das contas do primeiro grupo.
A análise financeira revelou operações numerosas e fracionadas, circulação de dinheiro entre os investigados, esvaziamento rápido das contas e posterior concentração dos valores em determinados destinatários. Em um dos episódios reconstruídos pela PCPR, R$ 30,6 mil transferidos pela vítima para uma das contas investigadas foram integralmente enviados a outro investigado no mesmo dia, deixando a conta inicial com saldo de apenas R$ 0,01.
As investigações continuam
Bárbara Ferrassioli esclarece que a operação não encerra o caso e que a OAB Paraná seguirá atuando junto à PCPR, ao Ministério Público e ao Judiciário. “É importante destacar que essa operação não encerra a investigação contra o golpe, muito pelo contrário. Foram meses de trabalho de investigação e de inteligência para que a Polícia Civil chegasse à fase de hoje, de cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão. Mas as investigações continuam, porque esse golpe fez milhares de vítimas. Outros núcleos criminosos também estão sendo investigados em outros inquéritos, e virão mais operações por aí”, adianta.
Com informações da AEN