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Controle de Processos

Operadores de telemarketing denunciam precarização do trabalho e pedem regulamentação da profissão

Audiência discutiu condições de trabalho, saúde ocupacional e projetos de lei para a categoria.Operadores de telemarketing denunciaram violações trabalhistas e defenderam a aprovação de projetos de lei para regulamentar a profissão durante audiência realizada nesta terça-feira (23) pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados.Representantes dos trabalhadores afirmaram que as propostas enfrentam resistência de empresários do setor.A diretora do Sintetel-RS  - Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio Grande do Sul, afirmou que a precarização atinge cerca de 1,5 milhão de teleoperadores no País."De norte a sul, é muito parecido: o nosso setor tem uma cultura de exploração. E é uma exploração que está descabida. O lucro que essas empresas vêm fazendo em cima do adoecimento mental dos trabalhadores é desumano, é surreal. O Estado brasileiro tem que cumprir o papel de garantir os direitos mínimos para esses trabalhadores", disse.FiscalizaçãoO Conselho Nacional de Direitos Humanos fiscalizou as condições de trabalho em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. Segundo o relatório, foram identificados problemas como falta de equipamentos, metas consideradas abusivas, terceirização elevada e baixos valores de auxílio-alimentação.O documento também registra relatos de assédio moral, limitação do tempo para uso do banheiro e altos índices de adoecimento. Entre os problemas citados estão casos de síndrome do pânico e síndrome de burnout.A diretora do Sintetel-SP Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de São Paulo, afirmou que essas situações fazem parte da rotina dos operadores. "Isso adoece fisicamente, isso adoece emocionalmente. Muitas pessoas começam a desenvolver perdas auditivas, não conseguem permanecer nesse tipo de atuação por muito tempo sem que haja uma deploração da sua própria saúde e da sua vida pessoal."Regulamentação profissionalRepresentantes sindicais e integrantes do Conselho Nacional de Direitos Humanos defenderam a regulamentação da profissão.Entre as medidas propostas estão:- piso salarial nacional;- jornada de 6 horas diárias de atendimento;- escala de trabalho 5x2;- parâmetros de proteção à saúde;- adicionais de insalubridade e penosidade.Representante da Fenattel  - Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações e presidente do Sintetel-RN,  afirmou que a legislação atual não acompanha as mudanças do setor. "A legislação para proteger essa categoria está desfocada da realidade, dado o avanço imenso da tecnologia nesse setor."Posição das empresasO vice-presidente regulatório da Feninfra  - Federação Nacional das Empresas de Infraestrutura de Telecomunicações e Tecnologia , José Américo, alertou para possíveis efeitos da regulamentação."Ao querer proteger o trabalhador, pode estar criando uma regra de estimular a robotização e reduzir os postos de trabalho dentro de uma atividade que é importante socialmente", afirmou.Perfil da categoriaDados da CNAE -  Classificação Nacional de Atividades Econômicas mostram que o Brasil tem 407 mil teleoperadores ativos.Segundo os números apresentados na audiência:- 67% são mulheres;- 61% são pessoas negras;- a idade média varia entre 31 e 33 anos;- a remuneração média fica entre R$ 1.685 e R$ 1.897.Projeto de leiA deputada que solicitou o debate, defendeu a regulamentação profissional dos teleoperadores. Ela citou o Projeto de Lei 2196/25, em análise pela Câmara dos Deputados."Precisa ter um piso nacional pela complexidade e pela dimensão da tarefa. Nós temos esse projeto que é preciso que a gente o faça avançar, porque ele é terminativo nas comissões: se não houver recurso, ele estará pronto para ir ao Senado", disse.Próximos passosFoi sugerido:- a criação de um observatório sobre a saúde dos operadores de telemarketing;- o reforço da fiscalização trabalhista; e- a instalação de uma mesa permanente de negociação entre trabalhadores, empresários e governo.- Segundo a deputada, o objetivo é buscar consensos para melhorar as condições de trabalho da categoria.
24/06/2026 (00:00)
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