Presidente do TJPR se pronuncia sobre caso de racismo em sessão do Tribunal Pleno
PRESIDENTE DO TJPR SE PRONUNCIA SOBRE CASO DE RACISMO EM SESSÃO DO TRIBUNAL PLENO
A presidente do TJPR, desembargadora Lidia Maejima, condenou os ataques racistas contra magistrados do STF e CNJ durante evento no TJPR
23/03/2026
Atualizado hoje
Na abertura da sessão do Tribunal Pleno, na manhã de segunda-feira (23/03), a presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), desembargadora Lidia Maejima, se pronunciou sobre o caso de racismo contra a doutora Franciele Pereira do Nascimento, juíza de Direito auxiliar do Supremo Tribunal Federal (STF), e o conselheiro doutor Fábio Francisco Esteves, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os magistrados foram alvos de ataques racistas, publicados no chat da transmissão, ao vivo, do evento "Paraná Lilás", promovido pela Escola Judicial do TJPR (Ejud/PR).
Segue abaixo a íntegra do discurso proferido pela presidente do TJPR:
Antes de darmos início aos trabalhos desta sessão, cumpre-me dirigir a esta Casa uma palavra que não pode ser adiada.
Na última quarta-feira, durante a transmissão, ao vivo, de uma atividade promovida pela Escola Judicial deste Tribunal, a doutora Franciele Pereira do Nascimento, juíza de Direito auxiliar do Supremo Tribunal Federal, e o conselheiro doutor Fábio Francisco Esteves, do Conselho Nacional de Justiça, foram alvos de ataques racistas, publicados no chat do evento.
Magistrados no exercício de suas funções, em espaço institucional, foram agredidos inadvertidamente. A gravidade do ocorrido é ainda maior quando consideramos o contexto: o lançamento, pelo Conselho Nacional de Justiça, do Brasil Lilás, um programa de enfrentamento à violência contra mulheres e defesa da dignidade humana, criado sob inspiração do Programa Paraná Lilás, de autoria desta Corte... Que um ato de ódio tenha irrompido precisamente nesse espaço não é ironia, é uma afronta que exige uma resposta clara.
O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná não deixará margem para ambiguidades: O racismo é crime inafiançável e imprescritível. A igualdade e a dignidade da pessoa humana não são aspirações, são fundamentos do Estado Democrático de Direito, que este Tribunal se orgulha de guardar e afirmar. Este Órgão Pleno do Tribunal de Justiça do Paraná expressa solidariedade irrestrita à juíza doutora Franciele e ao conselheiro doutor Fábio Esteves.
Agredir um ser humano em um evento oficial não é apenas um atentado ao inpíduo, é uma afronta à Justiça e a todos que nela confiam.
Registro, ainda, que o Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e o Tribunal de Justiça do Paraná, através do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NISI), já adotaram providências para identificar e responsabilizar os autores. O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná não será conivente com o racismo.
Muito obrigada.