Retorno de Vorcaro à Papudinha indica que delação premiada está cada vez mais distante
Retorno de Vorcaro à Papudinha indica que delação premiada está cada vez mais distante A volta de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, às instalações do 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília – a chamada "Papudinha" - marca uma mudança importante na condução das investigações do Caso Master. A transferência, determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu após o fracasso das negociações para um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Até então, Vorcaro permanecia na Superintendência da Polícia Federal justamente para facilitar o trabalho de elaboração dos anexos da colaboração premiada. O ambiente permitia acesso frequente aos advogados e à equipe de defesa, condição considerada essencial para estruturar o material que seria apresentado aos investigadores. Esse cenário, porém, mudou. A primeira proposta de delação foi rejeitada. Depois, uma segunda tentativa também não prosperou. A avaliação da Polícia Federal e da PGR é que a colaboração oferecida não atendia aos requisitos mínimos para justificar um acordo. O principal problema estaria no conteúdo. Segundo fontes ligadas às investigações, Vorcaro não teria apresentado fatos inéditos capazes de ampliar o alcance da apuração. Além disso, a proposta preservaria personagens considerados relevantes e evitaria o reconhecimento de responsabilidades próprias, o que reduziu o interesse dos investigadores em avançar na negociação. 1 de 1
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — Foto: Reprodução e Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília A sinalização das autoridades é que, neste momento, a investigação considera possuir um conjunto robusto de provas obtidas durante as operações de busca e apreensão. Com esse volume de documentos e informações já em análise, uma delação só teria utilidade se trouxesse elementos realmente novos, capazes de abrir novas frentes de investigação ou comprovar fatos ainda desconhecidos. A decisão de André Mendonça também estabeleceu que Vorcaro e Paulo Henrique Costa, agora custodiados na Papuda, não poderão manter qualquer tipo de comunicação. A medida busca preservar a integridade das investigações e evitar alinhamento de versões entre os investigados. Outro aspecto considerado pelo relator foi a segurança de Daniel Vorcaro dentro do sistema prisional, fator mencionado na decisão que autorizou sua transferência. Com as negociações de colaboração praticamente encerradas, o foco da Polícia Federal passa a ser exclusivamente o aprofundamento da análise do material já apreendido. A rejeição sucessiva das propostas de delação indica que, na avaliação dos investigadores, o caso entrou em uma fase em que as provas documentais têm peso maior do que eventuais acordos de colaboração. GloboPop: veja os vídeos do palco da Andréia Sadi