Cidadania em Campo: o que o Brasil e a Noruega têm de diferente no Registro Civil?
A Copa do Mundo vai muito além do futebol. A cada confronto
da Seleção Brasileira, a série especial "Cidadania em Campo", da
Arpen-Brasil, apresenta curiosidades sobre como funciona o Registro Civil nos
países adversários do Brasil, mostrando como diferentes nações organizam os
principais atos da vida civil.
Nesta edição, o destaque é a Noruega, o país de Haaland e
companhia, que enfrentaremos nas oitavas de final da Copa do Mundo, é reconhecido
mundialmente pela digitalização dos serviços públicos e por possuir um dos
sistemas de registro populacional mais integrados da Europa.
O modelo norueguês
Com cerca de 5,6 milhões de habitantes, a Noruega adota um
sistema de Registro Civil centralizado e totalmente digital. Diferentemente do
modelo brasileiro, não existem Cartórios de Registro Civil independentes. Todo
o sistema é administrado pela Administração Tributária Norueguesa
(Skatteetaten), responsável pelo Folkeregisteret, o Registro Populacional
Nacional.
É nesse banco de dados que são registrados os principais
acontecimentos da vida dos cidadãos, como nascimento, casamento, mudança de
nome e óbito.
O registro de nascimento é praticamente automático. Após o
parto, o próprio hospital comunica eletronicamente o nascimento ao governo. Em
seguida, a criança recebe seu número nacional de identificação, enquanto os
pais acompanham todo o procedimento pelos serviços digitais oficiais. Quando os
pais não são casados, o reconhecimento da paternidade também pode ser realizado
de forma integrada aos sistemas públicos.
No casamento, a diferença se concentra no órgão onde tramita
o processo. Antes da cerimônia, o casal deve solicitar ao Skatteetaten um
certificado que comprova a inexistência de impedimentos legais para a união,
procedimento bem parecido com o da habilitação que os casais brasileiros
precisam antes de celebrar o casamento. O documento possui validade de quatro
meses e, para estrangeiros, é necessária a apresentação de documentos como
certidão de nascimento, declaração de estado civil e, quando emitidos no exterior,
tradução juramentada e Apostila de Haia.
Todo o processo prioriza a tramitação eletrônica, refletindo
o alto grau de digitalização dos serviços públicos noruegueses.
A estrutura brasileira
No Brasil, os atos da vida civil são realizados pelos
Cartórios de Registro Civil das Pessoas Naturais (RCPN), presentes em todos os
municípios e distritos do país.
Os cartórios são responsáveis pelo registro de nascimento,
casamento, óbito, emancipação, interdição, averbações e demais atos
relacionados ao estado civil das pessoas, garantindo autenticidade, segurança
jurídica e publicidade.
Entre os diferenciais do sistema brasileiro está a
gratuidade do registro de nascimento e da primeira via da certidão, assegurada
constitucionalmente como forma de garantir o acesso universal à cidadania.
Outro destaque é a evolução tecnológica do Registro Civil
brasileiro. A integração nacional promovida pela CRC Nacional (Central de
Informações do Registro Civil) permite que cidadãos solicitem certidões em
qualquer unidade interligada do país, além de persos serviços digitais
disponibilizados pelo portal oficial registrocivil.org.br.
Embora adotem estruturas bastante diferentes — uma
centralizada e estatal, outra descentralizada por meio dos Cartórios de
Registro Civil — Brasil e Noruega compartilham a mesma finalidade: assegurar a
identidade jurídica dos cidadãos e garantir segurança aos atos que acompanham
toda a vida das pessoas.
Conhecer essas diferenças reforça como o Registro Civil é um
instrumento essencial para o exercício da cidadania, independentemente do país.
Fontes consultadas:
Skatteetaten
(Administração Tributária da Noruega)
Folkeregisteret
(Registro Populacional Nacional)
Norgesportalen
Por: Eduardo Carrasco, Assessoria de Comunicação Arpen-BR